A presidente Ana Tereza disse que relutou, mas assumiu a missão
Com o “salto alto” no acelerador
Diz o ditado: “Mulher no volante, perigo constante”. E se essa mulher dirigisse um jipe e participasse de competições pelo Rio Grande do Norte? E mais: se ela fosse a presidente do Jeep Clube /RN? Pois é, além de ser considerado um dito popular machista, a frase passa longe de ser verdade, principalmente para a empresária Ana Tereza Gondim de Almeida, que em janeiro foi eleita por unanimidade como a nova presidente da associação. Motivo de muito orgulho. “A mulher está procurando cada vez mais espaço na sociedade e isso é uma prova de que estamos conseguindo. Em um esporte praticamente dominado pelos homens, fui eleita presidente do Jeep Club. Fiquei muito orgulhosa”, revela a empresária.
Se agora tudo é
motivo de alegria e orgulho, no momento em que lançaram o nome
de Ana Tereza para concorrer ao pleito, o nervosismo tomou conta da
empresária. Foram necessários vários dias de
conversas com o marido, Lenílson Ângelo de Almeida, que
é sócio do Jeep Club, para que ela tomasse a decisão
de aceitar o desafio. “ Foi um susto para mim, porque até
então, todos os presidentes tinham sido homens e de uma hora
para a outra, em uma festa de confraternização, o então
presidente Aldemar de Almeida lançou meu nome como candidata
para sucedê-lo. Relutei no início, mas conversei com meu
marido, que me apoiou e decidi concorrer. E agora estou aqui”,
empolga-se Ana Tereza.
Na época de eleição,
Ana Tereza foi a terceira mulher a ser eleita para presidir um Jeep
Club em todo Brasil. Atualmente, mais duas mulheres, em Belo
Horizonte/MG e Brusque/SC, comandam a associação em
suas respectivas cidades.
Se Ana Tereza teve receio
de assumir a presidência do Jeep Club, sua filha, Ana Camila
também ficou receosa. Mas, passada a eleição, a
filha está gostando da ideia. “É bem diferente
ter uma mãe como presidente do Jeep Club, que é
dominado pelos homens. No início foi impactante, mas estou
gostando dessa ideia. Até porque, também participo das
provas do Clube e quanto mais mulher no Jeep melhor”, disse
Camila.
Ana Tereza não apenas comanda o clube, como também
participa das provas. Quando as disputas são mistas, com
homens e mulheres, ela se transforma em co-pilota do marido.
Quando são só mulheres competindo, ela assume o volante
e pisa fundo no acelerador. “ Graças a Deus nunca tive
medo de pilotar e também nunca sofri nenhum acidente”
revela.
A primeira prova do Jeep Club, sob o comando de uma
mulher vai acontecer hoje, no litoral sul do Rio Grande do Norte, na
lagoa do Arroz. Vai servir de batismo para os novos integrantes da
associação, que conta, atualmente, com 60 integrantes.
Destes, existe apenas uma mulher como sócia efetiva. Mas, Ana
Tereza explica. “Normalmente as mulheres entram no Jeep Club
por intermédio dos maridos. Eles que são os sócios,
na verdade. Elas vão para acompanhá-los e acabam
fazendo parte de instituição” diz.
Sobre
os projetos futuros para o seu mandato, que vai até o final de
2012, a empresária afirma que não pretende mudar muita
coisa. Apenas melhorar o que já vem dando certo. “Desde
que entrei no Jeep Club, em 2006, gostei do ambiente. Aqui, tratamos
todos como se fosse uma família. E é isso que pretendo
dar continuidade, esse clima familiar. Aqui, todos se dão bem”
afirma Tereza.
Perguntada se sofreu algum tipo de preconceito
quando decidiu assumir o posto, a empresária responde. “Sou
acostumada com isso aqui. Existem muitas mulheres que pilotam melhor
que os homens”, finalizou.(Matéria publicada no jornal
TRIBUNA DO NORTE